Trem pra Paranapiacaba, SP: Como é, como comprar e o que fazer
Um dos passeios mais legais da capital paulista ainda é desconhecido de muitos: é o chamado Expresso Turístico CPTM, conhecido também como Trem pra Paranapiacaba.
A viagem começa no Centro de São Paulo e leva os passageiros a bordo de vagões da década de 1960 até a antiga vila inglesa de Paranapiacaba, que pertence a Santo André/SP.
Nesse post vamos contar como é esse passeio, se vale a pena, como comprar os disputados ingressos, alternativas para chegar lá e também o que fazer durante um dia na vila.
Como é o passeio de Trem pra Paranapiacaba
A única maneira de ir direto de trem até Paranapiacaba é através do Expresso Turístico da CPTM, uma viagem que parte apenas aos finais de semana e feriados da Estação da Luz, em São Paulo.
Mas charmosa vila inglesa, que surgiu por volta de 1860 com a construção da linha que ligava o litoral à capital pela São Paulo Railway, também é acessível de carro ou até mesmo de outras formas de transporte público, como falarei mais adiante.
Porém, o foco aqui é o passeio de Trem pra Paranapiacaba, uma experiência totalmente diferente que parte do Centro de São Paulo.
Como falei, normalmente o trem só parte aos finais de semana (em sua maioria aos domingos) e feriados. O calendário é sempre divulgado pelo perfil @expressoturisticocptm.
A experiência a bordo
O embarque acontece a partir de 8h na Estação da Luz, um lindo prédio histórico no coração da capital paulista. Aliás, o acesso é muito fácil de metrô, a melhor maneira de chegar.
Às 8h30, a antiga locomotiva a diesel dos anos 1950 apita, sinalizando que o trem partirá rumo à vila inglesa. Os vagões também são históricos, da década de 1960, prateados por fora, mas muito confortáveis por dentro.
Dependendo da época do ano, o desconforto fica só pela ausência de ar-condicionado. Fomos no feriado de Carnaval e o calor era escaldante lá fora, embora que com o trem em movimento ficasse mais agradável.
Como é um trem expresso, a única parada é em Santo André, caso haja mais passageiros pra embarcar. Vale já dizer que é imprescindível comprar com antecedência, embora algumas pessoas consigam embarcar na hora mesmo, de acordo com as desistências.
Embora confortável e agradável, a viagem de duas horas até Paranapiacaba pode ser um pouco cansativa (ainda tem as outras duas horas de volta).
A paisagem bonita aparece apenas já próximo da vila e o restante do trajeto é pelos mesmos trilhos da CPTM que cortam a grande São Paulo.
Mas pra quem nunca teve a oportunidade de fazer um passeio como esses a experiência é sim bem interessante. Achamos os funcionários extremamente simpáticos e tem até mesmo serviço de bordo pago à parte, com cafés, refrigerantes e alguns salgadinhos industriais.
Ao longo da viagem, os tripulantes dão informações e curiosidades pelo sistema de som. Por volta de 10h30 da manhã, desembarcamos em Paranapiacaba, num lindo galpão ferroviário que parece saído de um filme inglês.
O que fazer em Paranapiacaba
A antiga vila surgiu associada à construção da São Paulo Railway em 1860, estrada de ferro que ligava a capital paulista ao litoral.
Como o domínio dessa tecnologia na época era dos ingleses, operários do Reino Unido foram trazidos para a construção da ferrovia. Mesmo após sua inauguração, outros funcionários do país chegaram para operar e fazer a manutenção da via e dos trens.
E foi justamente assim que nasceu a vila de Paranapiacaba, que até hoje guarda muita influência inglesa em sua arquitetura e ruas.
O clima também não poderia ser mais londrino. Estamos no meio Serra do Mar e a neblina é constante. Mas na nossa visita mais recente pegamos muito sol e calor.
Como você vai notar durante sua visita, a vila cresceu ao redor do pátio de trens, onde a imponente Torre do Relógio Johnnie Walker Benson, um dos símbolos da cidade, domina o cenário.
Aliás, ele não tem relação com o whisky. O nome vem pelo mecanismo do relógio mesmo, importado da Inglaterra. Na época, era usado não apenas para regular os horários das locomotivas, mas também para fiscalizar o ponto dos trabalhadores.
O melhor local pra ver de perto a torre é cruzando a Ponte Metálica, que passa sobre os trilhos dos trens. Você verá que, exceto o Expresso Turístico, os demais são de carga, que ainda circulam vindo do litoral de São Paulo.
Mas vamos voltar à região do desembarque dos passageiros e dar dicas de o que fazer em Paranapiacaba.
Pontos Turísticos Históricos
A vila com estilo inglês por si só já é uma atração. Ela é pequenininha e a graça é circular a pé entre pelo casario, pontos históricos, bares e restaurantes.
E isso chamou muito a nossa atenção nessa visita mais recente. A estrutura melhorou muito de quando tínhamos ido há quase 15 anos. Agora, ao menos nos finais de semana, há muitas opções de bares, restaurantes e feirinhas de artesanato.
Ao percorrer essas ruas, você vai encontrar locais como o antigo Galpão dos Solteiros, que hoje virou uma galeria de lojinhas, e até uma antiga padaria. O Galpão das Oficinas, antigo centro de manutenção de trens, também costuma ter feirinhas.
Dá pra fazer tudo por conta própria, já que há placas contando a história de cada construção. Mas se preferir, dá pra contratar guias que vão contar mais da história do lugar.
Com mais tempo livre, eles poderão levar você até mesmo pra fazer alguma trilha (inclusive até Cubatão) ou conhecer cachoeiras.
Museus
Pra quem quer saber mais da origem de Paranapiacaba, dois lugares interessantes que funcionam como pequenos museus são a Casa Fox e o Castelinho.
A primeira tem uma curta visita guiada e mostra como era o interior de uma dessas casas de madeira dos operários. O ingresso custa R$ 6 (preço de março de 2025).
Já o Castelinho era a antiga residência do engenheiro-chefe da São Paulo Railway. Leva esse nome por ficar no alto de uma colina, como se realmente fosse um pequeno castelo.
A visita também é guiada (R$ 12 – mar/25) e é possível ver o acervo do ex-morador, como mobiliário, quadros, relógios e outros itens.
Mas pra quem quer saber mais da história ferroviária na vila, o Museu Funicular (R$ 10 – mar/25) tem um acervo com máquinas, Maria Fumaça e outros itens da ferrovia.
O cambuci
Independente se você gosta ou não de museus, não deixe fora do seu roteiro uma visita ao Antigo Mercado, de 1899, hoje todo dedicado ao cambuci, um fruto típico da Mata Atlântica.
Os derivados dessa fruta estão por toda a vila, mas é aqui que você vai poder provar os mais diversos produtos, de sorvete a cachaça, passando por geleias e até coxinha.
É uma experiência bem diferente e dá até pra comprar o próprio cambuci. Confesso que só descobri a existência dele aqui. Antes, pra mim, esse era apenas o nome de um bairro de São Paulo.
O primeiro campo de futebol do Brasil
Em 1894, na vila de Paranapiacaba, foi inaugurado o primeiro campo de futebol do Brasil com medidas oficiais. E ele pode ser visitado no Serrano Athletic Club.
Quem introduziu o futebol no o país foi Charles Miller, um funcionário da São Paulo Railway. Após ir estudar na Inglaterra, o também filho de operário da via trouxe duas bolas na bagagem.
Parte Alta
Todas essas atrações que citei anteriormente e a área mais charmosa com estilo inglês é chamado de Parte Baixa, que fica nos arredores do Pátio Ferroviário onde chega o Trem pra Paranapiacaba.
Cruzando a linha férrea pela Ponte Metálica, você chegará à Parte Alta. Essa é uma área menos interessante, com casas atuais de alvenaria e onde vive boa parte dos poucos moradores.
Mas subindo uma ladeira ou uma escadaria (prepare as pernas!) chega-se à Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba, de 1884. Ela mais parece uma capelinha e não é tão bonita por dentro, mas é um ponto histórico.
Ao lado, fica um mirante com uma bonita vista da vila, bem no “quintal” da igreja. A visitação é gratuita.
É pouco o que se tem pra ver nessa Parte Alta. Então aproveite pra voltar e procure um bom lugar pra almoçar e descansar.
Restaurantes e bares
Como falei anteriormente, a melhora na oferta de opções gastronômicas chamou nossa atenção. Ficou muito mais legal passar o dia em Paranapiacaba.
Na região do desembarque do trem você vai notar que muitas das casas históricas se transformaram em pequenos restaurantes. A maioria ali tem bons preços e oferece almoço por peso.
Nós gostamos mais da região da Rua Direita, onde fica o restaurante mais famoso da vila, que é o Bar da Zilda.
Apesar de ser de grande porte e bem badalado, dá pra encontrar bons preços. Comemos um feijoada para duas pessoas e custou R$ 90 (mar/25). O ambiente é bem gostoso pra beber alguma coisa e almoçar depois de muita caminhada.
Há pratos individuais que começam em R$ 45 e também pratos para dois que podem passar dos R$ 150. Ou seja, há opções pra todos bolsos.
Praticamente em frente, o Largo dos Padeiros é uma praça que tem música ao vivo nos finais de semana e barquinhas com lanches e bebidas pra quem quer economizar.
Roteiro em Paranapiacaba
Se você só tem um dia em Paranapiacaba, tente incluir no seu roteiro essas que são algumas das principais atrações na vila:
- Pátio Ferroviário;
- Galpão dos Solteiros;
- Casa Fox (museu);
- Campo de Futebol do Serrano Athletic Club;
- Galpão das Oficinas;
- Castelinho (museu);
- Museu Funicular;
- Antigo Mercado;
- Ponte Metálica;
- Torre do Relógio;
- Igreja de Bom Jesus de Paranapiacaba.
Dá pra fazer todos esses pontos turísticos caminhando e em poucas horas. Então aproveite o resto do tempo pra curtir algum bar ou restaurante e a tranquilidade do lugar.
Como comprar a passagem pro Trem pra Paranapiacaba
Agora chegamos ao momento mais polêmico: o ingresso do passeio de trem. No vídeo que postamos no @essemundoenosso muita gente reclamou que está há anos tentando e não consegue. Realmente as passagens são muito disputadas.
Os bilhetes custam R$ 50 por pessoa (mar/25) e à medida em que você adiciona acompanhantes o valor vai caindo. Para dois, por exemplo, custa apenas R$ 82. Para três pessoas sai por R$ 115. E assim por diante.
Mas conversando com outros passageiros que pegam sempre o Trem pra Paranapiacaba, descobrimos que, além de ser alta a demanda, é preciso ter uma certa programação pra conseguir as passagens.
O primeiro passo é seguir o perfil @expressoturisticocptm. Eles são quem divulgam o calendário oficial de quando terá o passeio e também avisam que dia em que abrirão as vendas as passagens.
Os bilhetes são colocados à venda apenas uma vez ao mês, normalmente às 10h da manhã e acabam em minutos. Então, com essas informações, você pode acessar o site da CPTM no dia e hora certos garantir sua viagem.
Já quem quer sofrer menos pra embarcar nesse trem e procura uma experiência diferente, o primeiro vagão foi concedido à iniciativa privada.
Chamado de Expresso Du Mauá, ele oferece um serviço diferente, com viagens temáticas, serviço de bordo, guia na vila e até almoço incluído.
Mas os bilhetes começam em R$ 300 (incluindo apenas o trem e um kit de lanche) e chegam a R$ 400 o pacote completo (mar/25).
Como ir pra Paranapiacaba sem passeio de trem
A distância de Paranapiacaba até São Paulo é de apenas 60 km, então é fácil visitar a vila inglesa de carro mesmo. Claro que você perde um pouco do clima por não chegar de trem, mas também é um ótimo passeio.
A forma mais econômica é pegar o trem da CPTM até Rio Grande da Serra, trajeto feito pela Linha 10 – Turquesa. Ele é integrado ao metrô de São Paulo, ou seja, você paga apenas uma passagem.
Ao chegar à cidade, pegue um ônibus metropolitano (o letreiro traz o nome “Paranapiacaba”) até a vila ou, se preferir, um carro por aplicativo ou táxi. São apenas 15 km de distância.
No total, a viagem desde a estação da Luz até Paranapiacaba com trem da CPTM e mais o ônibus dura em torno de 1h40. No momento em que esse post foi escrito, o valor de toda a viagem sai por R$ 13,95 (R$ 5,20 do trem + R$ 8,75 do ônibus).
Onde se hospedar
Apesar de ser uma vila pequenininha e praticamente deserta à noite, há quem queira se hospedar em Paranapiacaba. E há sim algumas opções de pousadas. As principais são:
Mas dormir por aqui é apenas pra quem vem por conta própria, já que o trem turístico chega e parte no mesmo dia.
Perguntas Frequentes
A passagem custa R$ 50 por pessoa ida e volta (mar/2025). Mas o valor fica mais baixo à medida em que você compra para mais acompanhantes. Veja os preços e como comprar!
O trem normalmente circula aos finais de semana e feriados, com saída da Estação da Luz, em São Paulo, às 8h30. Mas há alguns finais de semana em que ele só sai aos domingos. Então saiba onde encontrar a agenda a cada mês.
Essa é uma tarefa difícil, já que as passagens são muito disputadas e precisam ser compradas com antecedência. As vendas acontecem apenas uma vez ao mês para os passeios do mês seguinte e esgotam em poucos minutos. A dica é seguir o perfil @expressoturisticocptm pra saber o dia exato em que as vendas acontecerão. Veja mais dicas de como comprar seu bilhete!
A antiga vila inglesa com sua arquitetura por si só já é uma atração. Chegar no trem turístico deixa a viagem ainda mais completa. Mas há pontos turísticos históricos e museus para serem visitados, além de muitos bares e restaurantes para aproveitar o dia. Veja todas as dicas!
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